enquanto uns fazem vida em laboratório com DNAs escritos por computador e outros navegam nas possibilidades de transferir a história de uma pessoa em uma rede social para robôs e hologramas, muitos passam pelas ruas, corredores, filas, sem se olhar nos olhos.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
cercas
O poeta Gary Snyder, ao falar em uma entrevista sobre o motivo de a tradição oral ser tão pobre nos Estados Unidos, disse: "Deve-se à importância dada a nomes individuais e à ênfase de se manter o texto original"
sábado, 25 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
?
coletivos, grupos sem centralização ou hierarquia que gestam coisas belas, úteis, inúteis, curiosas, assombrosas, blá.
crowd sourcing, comunidade virtual descentralizada de pessoas interessadas no desenvolvimento de programas informáticos, ou no conteúdo de certos sites, wiki.
creative commons, copyleft, ressignificação do direito de propriedade intelectual, afinal o direito é do "criador" individual?, que é fruto da sociedade que o instruiu, educou, contextualizou... ou da comunidade humana, da História, que sempre se alimentou das coisas feitas para fazer novas coisas?
se minha mente se estende para ser mais humana, se se estende por lápis, laptops, fones de ouvido, vitrolas, se minha memória se estende em livros e ipods e hds, se me estendo em cinema, luneta, microscópio, sonar, espectroscópio, microfone, sondas, hubbles, robôs... se sou ciborgue desde a invenção da escrita e portanto minha mente é mais coletiva do que estou disposto a admitir...
e então? como posso brigar pelo meu ou o seu direito de limitar a infinidade com cercas feitas de cê-ene-pê-jotas?
observação tardia: ciborgue desde a invenção da escrita? que nada! pelo menos desde que surgiu o primeiro instrumento, seja lança, pedra de jogar, flauta de osso ou o quê!
crowd sourcing, comunidade virtual descentralizada de pessoas interessadas no desenvolvimento de programas informáticos, ou no conteúdo de certos sites, wiki.
creative commons, copyleft, ressignificação do direito de propriedade intelectual, afinal o direito é do "criador" individual?, que é fruto da sociedade que o instruiu, educou, contextualizou... ou da comunidade humana, da História, que sempre se alimentou das coisas feitas para fazer novas coisas?
se minha mente se estende para ser mais humana, se se estende por lápis, laptops, fones de ouvido, vitrolas, se minha memória se estende em livros e ipods e hds, se me estendo em cinema, luneta, microscópio, sonar, espectroscópio, microfone, sondas, hubbles, robôs... se sou ciborgue desde a invenção da escrita e portanto minha mente é mais coletiva do que estou disposto a admitir...
e então? como posso brigar pelo meu ou o seu direito de limitar a infinidade com cercas feitas de cê-ene-pê-jotas?
observação tardia: ciborgue desde a invenção da escrita? que nada! pelo menos desde que surgiu o primeiro instrumento, seja lança, pedra de jogar, flauta de osso ou o quê!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
e agora?
Acabo de voltar da exposição "O Brasil na arte popular", no Museu Nacional de Brasília. Peças de arte belíssimas produzidas por mestres da assim chamada cultura popular.
É bom ver que essas peças, antes relegadas ao plano do "folclore", estão sendo valorizadas, bem como seus autores. Mas me pergunto, nestes tempos em que tanto se discute sobre direito de propriedade intelectual, se dar crédito não seria simplesmente uma forma de impedir o livre uso de referências a esse tipo de arte. Estou pensando como alguém que quer ser remunerado pela arte que faz, mas que também reconhece que é da cópia, da referência livre e da reelaboração que a cultura vive.
Quando se fala em patrimônio comum é fácil admitir que não há agente ou advogado que vá atrás de você para exigir royalties (já pensou ? Você pinta um personagem em estilo "Pedra Pintada" ou "Altamira" e chega um representante dos direitos dos primitivos cobrando o pagamento por uso de imagem...). E, ainda que de forma preconceituosa, era assim que se encaravam os trabalhos de Mestre Vitalino e outros. Agora que sei quem é Vitalino serei livre para me apropriar criativamente de suas formas, como faço com qualquer forma interessante que tenha a sorte de passar diante de meus olhos? Ou serei obrigado a fazê-lo clandestinamente?
quinta-feira, 16 de junho de 2011
ócio
Então aí está. Gente como Daniel Pink e Domenico de Masi afirmam que o futuro (o qual já está entre nós) será dos criativos muito mais do que dos laboriosos. À ética do trabalho imposta durante o período industrial sobrevirá a ética do ócio - palavra maldita para empresários, industriais, padres e militantes da esquerda defasada.
Há tempos que o desafio deixou de ser instruir as pessoas para que ocupem postos de trabalho estáveis e passou a ser aprender a conjugar trabalho, estudo e jogo.
Pode-se esperar um futuro de arte onipresente, mas também de atenção à subjetividade, tempo para apreciar, amar, criar.
Boa notícia para as cigarras...
Há tempos que o desafio deixou de ser instruir as pessoas para que ocupem postos de trabalho estáveis e passou a ser aprender a conjugar trabalho, estudo e jogo.
Pode-se esperar um futuro de arte onipresente, mas também de atenção à subjetividade, tempo para apreciar, amar, criar.
Boa notícia para as cigarras...
quarta-feira, 8 de junho de 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
mímica
Uma das características do nosso mundo é que ele está sentado.
O mímico corporal se coloca de pé.
Ele passa seu tempo representando tudo o que trabalha com o corpo, como se dissesse: “Vocês estão vendo, nós ainda podemos nos mover, podemos fazer outra coisa além de ficarmos sentados”. Podemos nos movimentar, nos levantar, fazer esforços, e quando o corpo se desloca, é uma espécie de lição.
Se dedicar à mímica é ser um militante, um militante de alguma coisa, um militante do movimento num mundo que está sentado.
É como se quiséssemos mudar o mundo convidando-o a se levantar, a se deslocar.
Alguns me dirão: “Mas você não conseguirá, não é possível! Você não mudará o mundo!”
Eis então porque vou terminar dizendo: Não é necessário esperar para empreender, nem vencer para perseverar.
O mímico corporal se coloca de pé.
Ele passa seu tempo representando tudo o que trabalha com o corpo, como se dissesse: “Vocês estão vendo, nós ainda podemos nos mover, podemos fazer outra coisa além de ficarmos sentados”. Podemos nos movimentar, nos levantar, fazer esforços, e quando o corpo se desloca, é uma espécie de lição.
Se dedicar à mímica é ser um militante, um militante de alguma coisa, um militante do movimento num mundo que está sentado.
É como se quiséssemos mudar o mundo convidando-o a se levantar, a se deslocar.
Alguns me dirão: “Mas você não conseguirá, não é possível! Você não mudará o mundo!”
Eis então porque vou terminar dizendo: Não é necessário esperar para empreender, nem vencer para perseverar.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
4.
TODAS AS HISTÓRIAS CONTADAS E AS POR CONTAR VAZAM DA IMAGINAÇÃO SUPREMA. POIS NÃO POSSO ACEITAR AS TEORIAS DE QUE OS CONTOS SÓRDIDOS E OS DESVIOS LAMENTÁVEIS REPRESENTEM REAIS AFRONTAS AOS PLANOS ORIGINAIS, COMO SE DETIVÉSSEMOS, EM NOSSO ZIGUEZAGUEAR INCONSCIENTE, A CAPACIDADE DE FRUSTRAR DEUS. PENSO QUE O MAL E O BEM SÃO PARTE MISTERIOSA DA MESMA INTENÇÃO. AQUI COMEÇA A QUESTÃO: COMO SUPORTAR UM DEUS QUE EXISTE AINDA MAIS DO QUE DESEJARÍAMOS?
ESSE SER TODO-PODEROSO ESTÁ NA BÊNÇÃO, CUJA AUTORIA NÃO TARDAMOS EM RECONHECER, BEM COMO NA ESCASSEZ TREMENDA, NO SOFRIMENTO ALEATÓRIO, NA MORTE SÚBITA E “INJUSTA”... NOS DESCAMINHOS QUE NOS HABITUAMOS A ESTABELECER COMO OBRA DO INIMIGO.
MISTÉRIO DOS MISTÉRIOS.
SENDO SENHOR ABSOLUTO DO BEM E DO MAL, DEUS TRANSCENDE O MAL, MAS TAMBÉM SE ENCONTRA ALÉM DO BEM. DEUS É MAIS QUE BOM. DEUS É.
ESSE SER TODO-PODEROSO ESTÁ NA BÊNÇÃO, CUJA AUTORIA NÃO TARDAMOS EM RECONHECER, BEM COMO NA ESCASSEZ TREMENDA, NO SOFRIMENTO ALEATÓRIO, NA MORTE SÚBITA E “INJUSTA”... NOS DESCAMINHOS QUE NOS HABITUAMOS A ESTABELECER COMO OBRA DO INIMIGO.
MISTÉRIO DOS MISTÉRIOS.
SENDO SENHOR ABSOLUTO DO BEM E DO MAL, DEUS TRANSCENDE O MAL, MAS TAMBÉM SE ENCONTRA ALÉM DO BEM. DEUS É MAIS QUE BOM. DEUS É.
É CAVALHEIRO, JÁ QUE ME CONVIDA DE MODOS SUTIS E INDIRETOS. SELVAGEM, POIS SUA PAIXÃO POR MIM É TAMANHA, QUE TENTA TODAS AS MANEIRAS A SEU ALCANCE -- E ESTAMOS FALANDO DO ALCANCE DE DEUS... MAS DIZÊ-LO UM “CAVALHEIRO SELVAGEM” É TÃO CORRETO E INSUFICIENTE QUANTO ROTULÁ-LO “PRÍNCIPE DA PAZ”, “PAI” OU QUALQUER OUTRO QUALIFICADOR . QUANDO DEUS SE MANIFESTA A MOISÉS COMO “EU SOU O QUE SOU”, ESTÁ OFERECENDO O MAIS PRÓXIMO DE UMA DEFINIÇÃO POSSÍVEL, NUMA ÉPOCA E CULTURA EM QUE AINDA NÃO HAVÍAMOS ESQUECIDO QUE O NOME DE UM SER É EXPRESSÃO SIMBÓLICA DE SUA ESSÊNCIA. PARA A TAREFA DE DELIMITAR COM CERCAS DE PALAVRAS A NATUREZA DE DEUS, “O SER” SERIA ESTÁTICO DEMAIS. “EU SOU ISTO ” OU “AQUILO” FARIA DELE UM SUJEITO RELATIVO EM UM UNIVERSO DE SUJEITOS RELATIVOS, PASSÍVEIS DE SE TORNAR OBJETOS EM CERTOS CONTEXTOS. NÃO, ESSE DEUS DESCONCERTANTE DIZ SIMPLESMENTE QUE ELE É O QUE É. ALIÁS, DIZ MAIS. NA LÍNGUA DE FOGO EM QUE FORAM ESCRITOS OS LIVROS INICIAIS, O QUE O PROFETA ESCUTA É UM DEUS QUE É, FOI E SERÁ O QUE É, FOI E SERÁ. SE ISSO NÃO SIGNIFICA QUE DEUS É TUDO EM TODOS, DURANTE TODO O TEMPO, ENTÃO SIGNIFICA O QUÊ?
sexta-feira, 20 de maio de 2011
3.
SEM QUE SE COMPENETRASSE EXAUSTIVAMENTE, CONSEGUIA ADIVINHAR AS TEXTURAS SUTIS DO HUMOR DAS GENTES. DE MODO QUE SUA DIFICULDADE ERA SEPARAR-SE DAQUILO QUE SENTIA, SABER IMPOR O GUME DO DISCERNIMENTO ÀS TURBULÊNCIAS INEVITÁVEIS. NEM OS SUPOSTOS MESTRES DO AUTO-DOMÍNIO NEM AS AVENTURAS SOFRIDAS DA EXPERIÊNCIA PARECIAM CAPAZES DE MUDAR ESSE TRAÇO SEU. ENTÃO, ESTABELECEU (POIS DECIDIRA SER E VIVER COMO REI DE SEUS DOMÍNIOS INTERIORES), ESTABELECEU UM PROPÓSITO. NEGARIA A SI MESMO O TANTO DE PRAZER (ALGUM PRAZER SIMPLES, COTIDIANO) DE QUE PUDESSE LICITAMENTE DESFRUTAR. PENARIA A COCEIRA DE ALGUM PEQUENO DESCONFORTO. QUERIA DESCOBRIR SE ISSO O CAPACITAVA A AQUIETAR-SE NO CALOR DA CONTRARIEDADE. COM O TEMPO, SUA RESISTÊNCIA A PRIVAÇÕES MIÚDAS FORÇOU-O A BUSCAR EXPERIÊNCIAS MAIS EXIGENTES NO TERRITÓRIO DO CONTROLE. ABRIU-SE PARA SEVERIDADES QUE POUCOS HUMANOS OUSAM ABRAÇAR.
A OUTRA VERSÃO, MENOS UFANISTA, SERIA AQUELA EM QUE SE FALA DAS INÚMERAS TENTATIVAS FRACASSADAS. DAS VEZES EM QUE DETERMINARA UM RUMO E SE DESVIARA AINDA NOS INÍCIOS DO CAMINHO. DOS MUITOS MOMENTOS EM QUE PERDERA A FÉ NO SENTIDO DE TAIS PRÁTICAS. DOS DISCURSOS QUE CONSTRUÍA PARA DEFENDER SUA CARA DAS ACUSAÇÕES DE COVARDIA E DUPLICIDADE FORMULADAS PELA ALMA. ESSA FORMA DE CONTAR A HISTÓRIA SERIA MENOS HONROSA?
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