segunda-feira, 7 de março de 2011

condição

Eis que sou.

E, coladas ao eu-ser, as gerações.

Pelos muros que saltei, pelos canais que a nado cruzei, era de se esperar ao menos um gosto de liberdade.
Pois sim...

Os traços de todos os meus inimigos
(os guardiões de fortalezas, os empedernidos alcaguetes, os encadernadores de pessoas)
estão em mim, e não como mera recordação.

Eis que ser tem menos daquela qualidade mística e desarrazoada que eu imaginava e simulava.

Mas se eu mesmo não chego incólume ao pico das autenticidades, como explicar os milagres então?

Já que minha natureza não é capaz de sustentar originalidade nem interesse altruísta ou arte

então de onde brotam essas surpresas que alargam meu mundo de vez em quando?  



domingo, 6 de março de 2011

novidades

Rodeados que estamos pelo discurso da inovação, fica até difícil perceber as coisas conforme o escritor do Eclesiastes: "nada há novo debaixo do sol"... Especialmente no que se refere à internet  e computadores. Lançamentos de máquinas surpreendentes (capazes de mudar toda a sua percepção da existência!), atualizações de sistemas operacionais, redução de tamanho e peso dos gadgets, sem contar, obviamente, os apelos da publicidade!

Existe a pressuposição de que, se você tem até 30 e poucos  anos, é necessário não somente que possua computador, e-mail e conexão à internet (pois tais se exige também dos demais seres humanos que caminham sob o sol nesta época), mas ainda perfis constantemente atualizados nas principais redes sociais, ao menos um blog (onde você pode informar à humanidade sobre as mais recentes voltas de seu pensamento), um smartphone, um tablet pc, enfim...

E o curioso é que tantos meios magníficos não se traduzam necessariamente em um nível mais alto de pensamento. Senão, vejamos. O tema mais pesquisado no google é pornografia. Quase todo e-mail que recebo é de piadas. Grande parte dos scraps, posts e tweets da vida versam sobre nulidades e vaidades. Compete-se para ter o maior número de “amigos” ou “seguidores” (que expressão infeliz...). Temas e motivações tão antigos! Acabo de saber por uma revista que este ano o feicebúqui se tornará o maior site de prostituição do mundo. Claro, são os usuários, não o Zuckerberg. Mas é este o ponto. Somos a mesma humanidade de sempre, a despeito da sofisticação dos recursos tecnológicos disponíveis. Será que conseguimos fazer algo realmente novo, com ou sem gigabytes de memória?