domingo, 17 de abril de 2011

uma dica



Vá em frente, onde as estrelas começam a endurecer sua luz. Daí a poucos passos, recite dois ou três versos de canções que você esqueceu. Quando tudo estiver pronto, assegure-se de que ninguém além de Deus ignora suas intenções. É batata! Boa sorte.  


segunda-feira, 11 de abril de 2011

wabi sabi

Wabi sabi é uma forma de beleza que se desenvolveu no Japão...

 Não, essas palavras realmente não definem wabi sabi. Eu mesmo não estou certo de que consegui captar o verdadeiro sentido dessa expressão de tradução improvável. Falam por aí que wabi sabi é algo como apreciar o detalhe insignificante, ou contemplar a ação desagregadora do tempo sobre a matéria. Então, Manoel de Barros é inequivocamente wabi sabi. Antoni Tapies também. Musgo em casca de árvore é. Certas frases de Guimarães Rosa são puro wabi sabi, não só os hai kais orientais. essa imperfeição no definir é outro exemplo de wabi sabi, que estabelece mais um espírito, um estilo, uma atmosfera, do que um padrão estético. Somos devedores dos gregos, que nos ensinaram a classificar e ordenar todas as coisas. Mas o Japão, que está entre nós há décadas já, confronta essa presunção de rotuladores com um modo de ver e produzir arte que está há léguas de distância do modo ocidental. Em música, seria uma linha improvisada displiscentemente, sem medo de errar, nem de guardar longos silêncios entre os ataques. Em culinária, seria a liberdade de testar novas combinações a cada jantar, com a possibilidade de os convidados acrescentarem algo único a seus pratos.

Imperfeito, incompleto, impermanente.

Algo com jeito de ter sofrido uns bons anos sob sol e chuva, como pátina de estátuas de bronze em praças públicas. Ou os vincos na face anciã.

terça-feira, 5 de abril de 2011

paleolítico

O poeta sírio Adonis falou estas palavras:

“Estamos entrando em uma nova época em que o homem retorna a um certo primitivismo. Não há nada mais além da cultura dos olhos e da cultura dos ouvidos”.

O bioquímico austro-húngaro Erwin Chargaff:

"A história mundial é um catálogo de atos de violência e de acidentes. É feita essencialmente de guerras, coroações, deposições e  revoluções que logo depois foram reduzidas a nada. Perante coisas tão medonhas, o belo não tem praticamente nenhuma chance."

O filósofo hindu-espanhol Raimon Panikkar:

"Esta suposta liberdade não é liberdade. É a suposta liberdade que me permite escolher entre dez marcas diferentes no supermercado? A liberdade não é uma liberdade de escolha entre ofertas determinadas - isso faria que nossa liberdade fosse maior à medida que a oferta fosse mais abundante. O consumo não é uma liberdade."

O escritor nigeriano Wole Soyinka:

"O problema do mundo ocidental é que ele idolatra a ciência e a tecnologia e submete a vida a esses ídolos."